Qual sistema vale?

Amados devotos da Senhora do Desterro, alegria e paz!

Aconteceu em nossa Igreja Catedral, no último dia 07 de setembro, o Grito dos Excluídos, que teve por tema: “Este sistema não vale”, e apresentou como fundamento a falta de justiça, direitos e liberdade para o povo brasileiro.

Frente a esta constatação, nos perguntamos: nos tempos atuais qual é o sistema que vale?

Em seu apostolado, Jesus Cristo procurou ser próximo e amar a todos. Como não nos lembrarmos do momento em que o Mestre conta ao doutor da lei a parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37)? Neste trecho bíblico, Jesus faz questão de deixar bem claro que as atitudes dos sacerdotes e levitas não agradam o coração de Deus. É necessário olhar para a atitude do Samaritano Bom, “fazer o mesmo” (Lc 1037), e ter uma outra atitude, ser discípulo do Senhor, seguidor fiel do Mestre.          

Num outro momento, encontramos Jesus Cristo preocupado em devolver ao pecador a oportunidade da volta de amizade com o Pai. Falamos aqui do cobrador de impostos chamado Zaqueu (Lc 19,1-10).

Nestas linhas das Sagradas Escrituras, detectamos a misericórdia de Deus derramada sobre o coração de um homem que decide mudar de vida. Zaqueu quis olhar para Jesus, entretanto, o Mestre, cheio de compaixão, olha para ele e lhe diz: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5).

Não hesitando, sem se incomodar com nada e nem com ninguém, desceu depressa, prometeu ao Senhor que, se tivesse sido injusto na cobrança dos impostos, devolveria tudo quatro vezes mais (cf. Lc 19,8). Com este gesto, parece-nos surgir uma luz ao questionamento que fizemos: qual sistema vale?

Recorramos também ao magistério da Igreja. A Carta Encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, nos ensina no número 13: “Quem tiver na sua frente o modelo divino, compreenderá mais facilmente o que Nós vamos dizer: que a verdadeira dignidade do homem e a sua excelência residem nos seus costumes, isto é, na sua virtude; que a virtude é o patrimônio comum dos mortais, ao alcance de todos, dos pequenos e dos grandes, dos pobres e dos ricos; só a virtude e os méritos, seja qual for a pessoa em quem se encontrem, obterão a recompensa da eterna felicidade. Mais ainda: é para as classes desafortunadas que o coração de Deus parece inclinar-se mais. Jesus Cristo chama aos pobres bem-aventurados: convida com amor a virem a Ele, a fim de consolar a todos os que sofrem e que choram; abraça com caridade mais terna os pequenos e os oprimidos. Estas doutrinas foram, sem dúvida alguma, feitas para humilhar a alma altiva do rico e torná-lo mais condescendente, para reanimar a coragem daqueles que sofrem e inspirar-lhes resignação. Com elas se acharia diminuído um abismo causado pelo orgulho, e se obteria sem dificuldade que as duas classes se dessem as mãos e as vontades se unissem na mesma amizade”.

Eis aí um sistema que pode valer: pobres e ricos unidos na mesma amizade. Não queremos enaltecer os pobres em detrimento dos ricos. Agora é sempre bom lembrar: Jesus fez a sua opção preferencial pelos pobres; mas em momento algum, quis o Mestre ser exclusivista, a ponto de dar as costas aos que o buscassem de coração sincero.

É fato que o sistema que estamos vivendo tem trazido sérias consequências aos menos favorecidos. Mas não nos iludamos pensando que o grito que deve prevalecer seja o do partidarismo. Ampliemos os nossos horizontes, e busquemos respostas para um sistema que valha a partir dos valores do Evangelho, que é de vida em abundância para todos.   

No Espírito de Jesus.

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