RESOLVENDO PENDÊNCIAS

A moça sempre foi de busca da presença de Deus, mas os empurrões levados pela realidade das margens e da desagregação familiar a afundaram em situações das quais não gostava: questão de sobrevivência aflitiva. Existe um olhar perverso que, sob o subterfúgio de proteção, atrai carnes novas para lucros sórdidos.

Reside a trinta horas da cidade em que nasceu e, quando consegue, retorna ao seu lar primeiro para abraçar a mãinha, avó materna, que a embalou e lhe disse sobre o Céu. Mulher de fé acima das dificuldades do cotidiano. Onde a moça mora, atualmente, participa de um grupo religioso e foi por proposta dela que recomeçou a Via-Sacra pelas ruas da paróquia.

A história de cada um possui pendências que as pessoas são livres para resolver, ignorar ou transformar em mágoas para sempre. Como ela escolheu a claridade, apesar das tormentas que, às vezes, a envolvem, nesse ano, além da mãinha, resolveu reencontrar-se com o pai, com quem estivera, de passagem, há 23 anos. Foi até a sua terra indígena e levou com ela suas meninas. Terra coberta pelas florestas altas da Amazônia e por cerrado nas regiões dos rios Pindaré, Grajaú, Mearim, Zutiua…

Comentou que havia diferença: em lugar da oca, as casas de alvenaria. Observei, nas fotos, as árvores, redes de dormir, roupas dependuradas nas cercas de madeira para secar, o terreiro e suas meninas, em meio a outras crianças, trabalhando na extração da amêndoa da castanha de caju, com a torragem direta no fogo aceso em um fogão de tijolos. Depois de esfriar, a quebra da casca para retirar a amêndoa. Encantei-me, também, em ver as crianças brincando no rio margeado por matas nativas. Ela com o coração iluminado, o pai, a simplicidade, as filhas no convívio que também fazem parte da origem delas e Deus com um sorriso imenso a observar tudo lá do Azul…

Em destaque, enviou-me a oração que a mãinha reza todos os dias e levou uma cópia para a aldeia de seu pai: “Senhor Jesus Cristo, nós te pedimos que venhas visitar a nossa casa para que com a tua visita entre nela o amor, o perdão, a conversão e a salvação. (…) Nós te pedimos humildemente que seja o refúgio para os que moram aqui, amigo e companheiro dos que saem. (…) Derrama todas as bênçãos do céu e permanece conosco, Senhor, todos os dias de nossa vida”.

Pendência resolvida em nome de Belém e Jerusalém.

Maria Cristina Castilho de Andrade

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