“Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

Amados devotos da Senhora do Desterro, alegria e paz!

Estamos vivendo as alegrias do tempo da Quaresma. Por que digo alegrias? Porque neste tempo favorável em que a Igreja nos convida à conversão, somos chamados a intensificar a busca da santidade, a partir de um recolhimento que nos faz pensar de que forma estamos vivendo a fé que recebemos através do Batismo, na comunidade eclesial.

A Igreja no Brasil, por meio da Conferência Episcopal (CNBB), no tempo da quaresma convida os fiéis a refletir sobre um determinado tema. Neste ano a nossa reflexão será: “Fraternidade e vida: dom e compromisso”; e o lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

Este trecho do Evangelho de Lucas é precedido pela pergunta de um doutor da lei que quis colocar Jesus à prova: “Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna”? (Lc 10,25)

Diante desta pergunta, Jesus conta ao doutor da lei, uma parábola. Todos nós conhecemos este trecho que muito bem relata a atitude do samaritano. Mas vamos recordar: o samaritano é membro de um povo desprezado e ridicularizado pelos judeus.

Porém isso não o impede de fazer o bem àquele homem que, pelo fato ter perdido a sua dignidade (pois sofreu nas mãos dos assaltantes), tornava-se naquele momento o mais próximo do samaritano.

O que deve nos impressionar são as atitudes do sacerdote e do legista. Homens extremamente ligados ao templo. Sabiam perfeitamente as obrigações da lei. Mas infelizmente, o que toma conta do coração destes homens é o sentimento que Jesus condenou severamente, presente em muitos conhecedores da lei: “Hipócritas! O profeta Isaías profetizou bem a vosso respeito: ‘este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim’” (Mt 15,7).

A parábola do bom samaritano evidencia a cada um de nós, que neste tempo quaresmal, não podemos nos contaminar com o veneno tão presente no coração dos conhecedores da lei: “tudo para os amigos e, para os outros, a lei”.

Somos chamados neste itinerário quaresmal a fazer o propósito de nos tornar próximos de tantos que necessitam de nossa proximidade. Foi isso que fez o samaritano bom: diante daquele homem que havia sido espancado pelos assaltantes, a bondade presente no coração de um não judeu (o samaritano) aflora, e prevalecem o amor e a compaixão: “cuida dele, e o que gastares a mais, eu o pagarei quando voltar” (Lc 10,35).

Compreender a lei, a partir da defesa da fraternidade e da vida, como dom e compromisso em favor dos que necessitam da compaixão de Deus: este deve ser o desejo de nosso coração, este deve ser o nosso testemunho: “assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

A luz de Deus, como um bom testemunho do samaritano para com o que estava caído, brilhou. Que este tempo favorável de conversão nos ajude a viver com fidelidade o projeto de Deus, que é de vida e vida em abundância (cf. Jo 10,10), para que assim santificados pela nossa busca de Deus, possa também o nosso testemunho nos tornar sempre mais próximos dos que necessitam de nossa proximidade.

Feliz Quaresma!

No Espírito de Jesus,

Pe. Márcio Felipe

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