UMA VIDA INSERIDA NA OUTRA

O Padre Márcio Felipe, Cura desta Catedral, um Sacerdote de compromisso com a Oração – intimidade com Deus – e da firmeza, tem me ajudado muito a inserir o pulsar do Coração de Cristo nas batidas do meu, repleto de quedas e recaídas.

Disse-lhe, em nossa última conversa, sobre meus tropeços e passos sem rumo ao meu sangue “ferver” sem controle. Sangue que ferve pode obstruir o chamado a ser da misericórdia. Sangue que ferve pode se tornar gangrena e matar o tecido do amor.

Ofereceu-me, Padre Márcio Felipe, o Evangelho de Marcos (5, 21 – 43), com cura e ressurreição: a da mulher que sofria de hemorragia, gastara tudo que possuía e, em lugar de melhora, piorava e da filha de Jairo, um dos chefes da sinagoga.

Tenho refletido sobre o que pode estancar o sangue em fervura e me impedir de ser portadora de necroses.

A doença da mulher a atingia em sua intimidade e o sangue, que deveria ser sinal de vida, se tornara sinal de morte e provocava repugnância.  Era uma mulher em estado de desconforto e impureza, de acordo com o Livro de Levítico. Desejava curar-se. Um impulso irresistível a levou às proximidades com Jesus e Ele permitiu. É a fé que salva.  Na humildade em se sentir indigna, tocou delicadamente a orla do manto do Senhor, abeirou-se com fé de alma e percebeu que fora curada. A respeito desse acontecimento, Santo Agostinho comenta: “Ela toca, a multidão oprime. Que significa tocou, senão que creu?”

O “sangue em fervura”, nas entranhas de meu ser, gera morte e me torna impura diante do Altar em que me dobro perante o Céu.  O “sangue em fervura” coloca o meu eu em lugar de Deus e me impede de enxergar o outro como filho do mesmo Pai. Padre Fernando Armellini em seu livro “Celebrando a Palavra” – Editora Ave Maria – escreve: “Se a proximidade com Cristo não produz em nós mudanças radicais, quer dizer que somos multidão: esprememo-nos perto dEle sem nunca tocá-lo com fé”.

Compreendo: é possível, hoje também, tocar a orla do manto do Senhor para aplacar as fúrias de meu sangue em ebulição, mesmo no desagrado, pois como escreveu em “História de uma alma” (155), Santa Teresinha: “Minha alma estava imersa na amargura, mas também na paz, pois só buscava a vontade do Bom Deus”.

No mesmo texto do Evangelho, a palavra do Senhor a Jairo, quando lhe informam que a filha morrera: “Não tenhas medo. Basta ter fé”.

Maria Cristina Castilho de Andrade

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