Bancos vazios

Em uma conversa com o Padre Dr. Jean-Marie Laurier do Instituto Nossa Senhora da Vida, que no momento se encontra no México, ao lhe dizer como sinto falta da participar da Missa presencial, comentou sobre a dor dos Sacerdotes, que foram ordenados para estar com o povo, celebrar, através da TV ou das redes sociais, em uma Igreja com os bancos vazios.

Na Celebração da Eucaristia, na Catedral NSD, nos dois últimos sábados, o pároco, Padre Márcio Felipe, invocando Nossa Senhora Aparecida, abençoou quem participava, via internet, e percorreu o corredor, chegando à porta principal, para abençoar a cidade. Porta aberta, luzes artificiais da praça vazia e os fantasmas, de cada um, que se elevam nos temores e na solidão. De imediato, no entanto, a sua prece afastou as assombrações individuais.

Sentimos falta sim da Igreja em ação com o povo presente, contudo vivemos uma época, que jamais atravessamos, em que se agiganta o Covid-19, um organismo acelular, invisível a olhos nus, que passa de uma pessoa para outra, muitas vezes deixa sequelas e pode ser letal. Quanto sofrimento espalhado pelo mundo a partir desse organismo que invade o ser humano e faz morada nele para amaldiçoá-lo.

O Decreto, portanto, de nosso Bispo Diocesano, Dom Vicente Costa, suspendendo as Missas e Celebrações com a presença dos fiéis, sem dúvida foi amor por sua gente, cuidado com o povo, em consonância com as autoridades sanitárias, a fim de dificultar, ao Covid-19, habitação feita em vias respiratórias e pulmões, que o sustente e o multiplique. Dessa forma, sua morte acontece. E as casas se tornaram Santuário doméstico para os que saem da autossuficiência e entram na obediência que salva.

Em momento algum a Igreja se distanciou. É preciso estar atento, pois o mal deturpa o raciocínio. Como escreveu em uma de suas cartas, em 1896, Santa Teresinha do Menino Jesus, o demônio é um “miserável privado de amor”.

Li uma reflexão do Frei Saverio Cannistrà, Padre Geral da Ordem dos Carmelitas Descalços, sobre esse tempo de tribulação.  Afirma ele: “… Tribulação, de fato, é sempre para o cristão o lugar pelo qual Cristo passou, ou melhor, pelo qual Cristo continua a passar e nos leva à luz da Páscoa. (…) Somos chamados a dar um passo atrás e abrir espaço para médicos, enfermeiros e voluntários que são os verdadeiros heróis desta pandemia do Terceiro Milênio”.

É tempo de espera com os olhos fixos no Céu.

Maria Cristina Castilho de Andrade

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

brasao-pb

© 2019 Catedral Nossa Senhora do Desterro – Jundiaí – SP
Desenvolvido por LAB Brasil Comunicação