RESSIGNIFICAR-SE

Estou alinhavando, interiormente, a palavra ressignificar, após confissão e orientação espiritual com o querido Padre Márcio Felipe, pároco da Catedral NSD. Como ele tem o dom de me fazer enxergar o essencial. Isso me faz um bem imenso.

Não é fácil dar um novo sentido a acontecimentos da vida, quando estou presa a conceitos e posturas que não me oferecem luz e liberdade. É um rasgar-se por dentro, uma angústia que aperta o ego.

Durante esse exercício de me redefinir, soube que o adolescente está de volta, após um período de internação, ao cotidiano de seus últimos anos, ou seja, ao mundo do uso de drogas e ao tráfico para garantia do vício. Que triste. Na situação de violência, pela qual passou, foi necessário amputar parte do braço. A escola já deixou faz tempo. Não houve insistência por parte de quem poderia, pelo menos, lhe oferecer algumas possibilidades de resistir à dependência química. Ficou de caminhada sem rumo certo e assim se mantém.  Trata suas sombras e assombrações com fumaça e pó. Que doloroso! Como transformar sua história se o entorno incluído apenas discursa sobre excluídos?  Menino julgado e condenado pela sociedade, expulso para as margens, empurrado para os charcos.  É aquele cujas chagas latejam na alma, muito mais do que o sofrimento do braço.

Retorno às palavras do Padre Márcio Felipe. Dentre outras colocações, me disse sobre as feridas interiores que carregamos. Se permitirmos, Deus cura, mas quando Ele coloca o dedo na ferida, dói, principalmente se a enraizarmos pelas coroas com que nos revestimos: do orgulho, do poder, do ter… Verdade mesmo! Como é difícil permitir que Deus aja para me ressignificar nisto ou naquilo. Preciso também de ajuda. Quando aceito, experimento a verdadeira paz.  

Ir ao encontro do Senhor, abrindo mão das trevas que carrego, para que Ele possa colocar o dedo nas feridas interiores, exige coragem. Que Ele me dê a audácia e a fé da mulher (Marcos 5, 25-34) que padecia já por doze anos de um fluxo de sangue e tocou a orla do Seu manto. Que Ele me ajude, como pediu Santa Teresinha em prece (Or. 10), a santificar as batidas de meu coração, meus pensamentos e obras mais simples. E que não me omita diante dos dilacerados por sua história, porque ressignificar-me exige ainda estar de olhos abertos e mãos estendidas para todos os atormentados.

Maria Cristina Castilho de Andrade
É professora e cronista

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