AS SOMBRAS DE UM MUNDO FECHADO

Estamos nos últimos dias do mês de dezembro. Há quem diga que não temos muito com que nos alegrar, pois neste ano de 2020, fomos surpreendidos pela pandemia da COVID-19. 

De fato, podemos concluir que foi, sim, um ano difícil. O Santo Padre, o Papa Francisco, nas primeiras páginas da Encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e amizade social, nos chama a atenção para uma realidade que nos faz concluir: infelizmente vivemos as sombras de um mundo fechado.

Iluminados pelo pensamento de Francisco, somos convocados a perceber o quanto ainda vivemos sob a pressão de tendências cultivadas pelas pessoas que insistem em propagar o não desenvolvimento da fraternidade universal.

Bem sabemos, que ao passar do tempo, inúmeras foram as tentativas para que o Evangelho chegasse ao coração das pessoas. Nem sempre, o anúncio da Boa Nova chega, por causa da dureza do coração do homem, onde muitos sonhos são desfeitos em pedaços. 

A Igreja latino-americana, num determinado período de sua história, quis fazer a sua escolha preferencial pelos pobres. É sempre salutar compreender que esta escolha não é exclusiva. Deus veio para todos! 

Mas, não podemos nos deixar contaminar pelo vírus da indiferença, que nos impede de ser epifania de Deus na vida dos que são os prediletos do coração de Jesus: os pobres!

Embora possamos detectar que a história evidencia sinais de regressão, no que diz respeito ao desejo do Papa Francisco, de que todos sejam irmãos, onde uma economia possa favorecer a todos, onde não existam mais desigualdades, e, assim, o ser humano tenha a certeza de que “cuidar do mundo que nos rodeia e sustenta, significa cuidar de nós mesmos”.  

Como seríamos desonestos, se porventura, afirmássemos que por causa da ganância dos poderosos, e frente a todas as desigualdades com que nos deparamos, pensássemos que Deus tenha se esquecido de nós.  

Nestas primeiras páginas da Fratelli Tutti, o Santo Padre nos faz o seguinte alerta: mesmo frente aos que não acreditem numa fraternidade que possa atingir a toda a humanidade, não tenhamos medo de sermos produtores de um projeto que tenha como ponto de partida e ponto de chegada o desenvolvimento da humanidade.

Bem sabemos, no que diz respeito aos casais, a cultura hodierna quer sempre mais propagar que a instituição família está falida. Diríamos, que por causa do que o Francisco chama de descarte mundial, é possível detectar no movimento ECC, tão presente em nossas comunidades, que o apelo do sucessor de Pedro tem ecoado no coração dos casais.

Não mais a cultura do descartável! Não mais o fechar-se à vida! Aos novos casais: que se permitam abrir-se à educação e geração da prole. Aos casais mais experientes: não se intimidem frente às limitações impostas pela idade avançada.

No próximo artigo daremos sequência ao nosso estudo. Aproveito a oportunidade para desejar-lhes Feliz Natal, e, que neste novo ano que nasce, procuremos ser ainda mais Fratelli Tutti, para que assim vivamos à luz de um mundo voltado para Deus.       

No Espírito de Jesus,

Pe. Márcio Felipe de Souza Alves 

Cura da Catedral N. Sra. do Desterro 

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