NOSSA MÃE GIRASSOL

Nossa mãe, Irene Portugal Castilho de Andrade, partiu, aos 97 anos, no último dia 12. O Criador a chamou de volta.

São tantas emoções… No footing pelo centro de Jundiaí, se encantava com o nosso pai. Ele a chamava de “Canarinho” pela diversidade de roupas amarelas ou por ser canção no coração dele. Casaram-se em 1947.

No final de 48, nasceu meu irmão e eu, em 54. Redobrou-se para que fôssemos do bem.

Recordo-me de seus cuidados na invalidez de 17 anos de minha avó materna, da admiração por meu pai que superava qualquer desaponto, dos dois cantarolando o Hino ao Amor de Edith Piaf: “… Quando enfim a vida terminar/ (…) Num milagre supremo/ Deus fará no céu te encontrar”. Do tempo de professora na Fazenda Ipê, o reencontro recente com dois de seus alunos.

Mãe dedicada e esposa fiel, mestre na renúncia em favor dos seus. Após a partida de meu pai, agregou-se à Magdala, às aulas de artesanato, ultimamente na Casa da Fonte – CSJ. Seu amor pelos animais, flores… Planta alguma poderia ficar sem água. Talvez fosse essa a sua missão: tornar da fertilidade a aridez que por ela passava. Um olhar sempre além da aparência.

O essencial: seu alicerce era o Senhor e Nossa Senhora. Foram sete dias de calvário redentor. Na parada cardíaca de seis minutos, na noite de seis de janeiro, os médicos questionaram não entrar em óbito. Compreendi: o céu e a terra se uniram sem apressar o tempo.  Recebeu a Unção dos Enfermos e nela foi colocado o escapulário. Intubada e sedada na UTI, rezávamos: ela, serena, sem dúvida pelo coração.

Madre Maria Madalena me convidou a, diante da Cruz, dizer: “Eu aceito”. O Padre Márcio Felipe completou com: “A Tua vontade que me dói, mas que também me dá a certeza do Céu”.

Na visita do dia 12, interrompida pela partida dela: o sinal da cruz com água benta do Carmelo, a mensagem de meu irmão através do celular, o hino de Sant’Ana, o Salmo 26: “Espera no Senhor e sê forte!” e os Mistérios Dolorosos do terço. Foi-se no segundo mistério. O Senhor estava ali.

Ontem, nas Exéquias, o Padre Márcio Felipe – neto querido para ela -, após aspergi-la, passou-me o aspersório. Comovi-me tanto! As águas do Batismo que vencem a morte: “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez de novo” (2 Coríntios 5, 17).

Nossa mãe girassol viveu voltada para a claridade do Céu.

Maria Cristina Castilho de Andrade

É professora e cronista

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