CORAGEM CRIATIVA

Encanta-me São José feito do silêncio em que Deus fala e pelo Senhor se conduzir.

Na Carta Apostólica “Patris Corde” do Papa Francisco para a proclamação do ano de São José, destaco como alerta: “Pai com coragem criativa”. Começa dessa forma: “Se a primeira etapa de toda a verdadeira cura interior é acolher a própria história, ou seja, dar espaço no nosso íntimo até mesmo àquilo que não escolhemos na nossa vida, convém acrescentar outra característica importante: a coragem criativa”.

De acordo com o Papa, perante uma dificuldade, “pode-se estacar e abandonar o campo, ou tentar vencê-la de algum modo”. Cita que José, ao chegar em Belém e não encontrar alojamento onde Maria pudesse dar à luz, arranjou um estábulo e preparou-o de modo a tornar-se o lugar mais acolhedor possível para o Filho de Deus que veio ao mundo (cf. Lc 2, 6-7). Face ao perigo iminente de Herodes, foi alertado para O defender e organizou a fuga para o Egito (cf. Mt 2, 13-14). Assim, ele nos convida a transformar “um problema numa oportunidade, antepondo a sua confiança na Providência”. Deus confia em nós e nos chama a essa coragem criativa naquilo que nos diz respeito como também na vida daqueles que passam por nós. Tornar o mundo melhor decorre da coragem criativa sob a claridade de Deus.

São José, como se encontra na Carta, que foi, para Jesus, na terra, a sombra do Pai Celeste, soube amar sem colocar o seu eu no centro. Não se situou “na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si” Em lugar da frustração e lamentos, escolheu o confiar em Deus.

Uma vertente da coragem criativa é entrar em comunhão com o próximo através do olhar, escutar e realizar sem julgamentos. Exercitar a sensibilidade para perceber onde estão rompidas as entranhas das pessoas fragilizadas por vivências sinistras e costurá-las com o fio da fé, esperança e ternura. E quanto mais você se utiliza desse fio, mais ele cresce dentro de você, porque é fio de oásis. Considerar o coração do outro como terra sagrada e, onde tantos pisaram, soprar a brisa que vem do Alto, faz a diferença e permanece para sempre. Se a pessoa, do novelo do Céu, parte, fica uma saudade que fortalece e não geme.

Que São José, da coragem criativa, nos ajude a resistir nas dificuldades e nos guie para colocarmos o bem nos vazios da história pessoal e das cercanias.

Maria Cristina Castilho de Andrade
É professora e cronista

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