UM ESTRANHO NO CAMINHO

Caros casais das equipes do ECC da Catedral, alegria e paz!

Ao longo de todo o percurso que fizemos até aqui, no estudo da Carta Encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e amizade social, do Santo Padre Francisco, percebemos que ele insiste no fato de que não podemos encarar tudo o que foi dito no capítulo anterior como uma realidade estéril (cf. FT n. 56).

Assim nos exorta Francisco, acerca desta afirmação: “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo, e nada existe de verdadeiro humano, que não encontre eco no seu coração” (GS n. 1).

Neste segundo capítulo da Carta Encíclica Fratelli Tutti, Francisco nos convida a refletir sobre a parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10,25-37).

Podemos, à luz deste texto bíblico, destacar três verbos que contribuem para a convivência fraterna entre os casais: ver, sentir e compadecer. 

Desde o início da criação, concluímos que Deus nos criou por amor, e espera da humanidade o gesto de amar. Neste sentido, afirma o Papa que não é compatível à vida dos discípulos do Mestre, o sentimento de indiferença ou uma resposta justificável para situações que não comportam justificativa. 

Que situações são essas? São todas as que agridem, violam a dignidade da pessoa humana. Deparar-se com a dor dos inúmeros que estão caídos ao longo do caminho, e simplesmente mudarmos a nossa rota, para não nos comprometermos com os inúmeros que estão caídos (cf. Lc 10,25-37).

Na vida a dois, é importante que haja o que chamo sensibilidade para com a dor do outro. Na vida matrimonial, diante dos altos e baixos que a vida impõe, se faz necessário que um seja para o outro os olhos de Deus, o sentir a dor do outro como Deus sente, e, por fim, se compadecer do outro como Deus se compadece.

Por vezes, na vida a dois, se faz necessário ser como o Bom Samaritano, que não questiona absolutamente nada. Ao ver a dor daquele que está caído, deixa de lado todo preconceito, isto é, não leva em conta o fato de ser estrangeiro, sente a dor do que está caído, se compadece, e lhe propõe tudo o que tem: cuida com amor, disponibilidade.

Como o Bom Samaritano, para os cônjuges, é indispensável a virtude da compaixão, do sentir, do cuidar. As palavras do Papa Francisco podem iluminar todo homem e mulher de boa vontade, e, de modo particular, os casais, a quem me dirijo particularmente.

A parábola do Bom Samaritano, no contexto atual, já não se refere mais acerca dos que são de regiões diferentes, ou seja, “já não há distinção entre habitante da Judeia e habitante da Samaria, não há sacerdote nem comerciante; existem simplesmente dois tipos de pessoas: aquelas que cuidam do sofrimento e aquelas que passam ao largo; aquelas que se debruçam sobre o caído e o reconhece necessitado de ajuda, e aquelas que olham distraídas e aceleram o passo” (FT n. 70).

A partir da análise da nossa vida, isto é, padres e casais, nos perguntamos: passamos adiante do caído, ou nos debruçamos diante dele, para que assim a dignidade da vida lhe seja devolvida? 

As palavras de Francisco são bem atuais. Quiçá possamos colocá-las em prática em nossas vidas.

Daremos sequência ao nosso estudo no próximo mês. 

No Espírito de Jesus,

Pe. Márcio Felipe de Souza Alves 
Cura da Catedral N. Sra. do Desterro 

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