FARISAÍSMO CATÓLICO

As prioridades da vida

Parecia as igrejas estariam lotadas esta semana.

Claro! Depois de mais de um mês fechadas pelo decreto do Governador, todos estaríamos ávidos pela participação na Santa Eucaristia. 

Era óbvio. Pela pressão que fizeram os grupos digamos, mais “tradicionalistas”, seria como a corrida do ouro: multidões se acotovelando na entrada das igrejas para conseguir um dos minguados lugares disponíveis – já que a reabertura é parcial e limitada – quem chegasse em cima da hora ficaria obrigatoriamente para fora.

Porque rezavam de joelhos nas portas das igrejas, pela conversão dos bispos, pela conversão dos padres. Deus deveria intervir e enchê-los de coragem, para “entregar a vida” – como diziam – enfrentar o status quo em que mandatários pagãos obrigavam o povo fiel a se curvarem diante deles. Afinal, “Ao Senhor teu Deus adorarás e somente a Ele servirás” (Mt.4,10).

Pareceu, no entanto, que os entendidos sabedores da doutrina pura, da joia católica de vinte séculos, estavam mais preocupados em “lacrar” nas redes sociais, em mostrarem-se – como aliás é o padrão hoje em dia – detentores de virtudes, de todas as virtudes, muitas delas inalcançáveis aos hereges que, confortavelmente, assistem à Santa Missa no sofá de casa.

No entanto, não parece que a “corrida do ouro” esteja assim tão caliente: chamados moscas de sacristia, parece que são os mesmos que sempre foram à missa diariamente que agora, com a liberação, continuam assistindo a missa diária regular.

Onde estão os valentes propagadores de réchetegue? #querominhaigrejaaberta, escrevem em todos os cantos da internet.

Pois bem. Talvez não tenham lido o decreto do governador com a liberação, ou não tenham entrado no feicebuque. Pode ser. Talvez no Domingo.

Todos nós, de uma forma ou de outra, queremos “obrigar” a Deus que nos obedeça. “E por que não obrigarmos aos bispos a nos obedecer? E os padres? Pressionemo-los a dobrarem-se a nossa vontade e que ELES enfrentem as autoridades. Se der tudo certo, daremos entrevista na TV reforçando que graças às nossas orações o jugo que pesava sobre nós foi aliviado…” – poderiam pensar os bravos lutadores pela reabertura imediata, típica prática farisaica.

Irmãos, tenhamos em conta o que é prioritário para nós. A santidade, cuja principal característica é a Obediência? Ou as convicções políticas que, na hora da tribulação, pouco ou nada nos servirão?

Como os fariseus da época de Cristo, não sejamos meros cumpridores de preceito. Curioso é perceber que se ao menos estivéssemos dispostos a “cumprir o preceito”, talvez as missas que tanto esperamos pudéssemos estar presencialmente estivessem lotadas!

Robinson Daniel dos Santos

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