PENSAR E GERAR UM MUNDO ABERTO

Caros casais das equipes do ECC da Catedral, alegria e paz!

            Neste terceiro capítulo da Carta Encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e amizade social, do Santo Padre Francisco, vamos refletir neste mês os parágrafos que correspondem aos números 87 ao 102.

            Partindo do estudo da Constituição Pastoral Gaudium Et Spes, sobre a Igreja do mundo atual, Francisco, o profeta dos nossos tempos, insiste que o homem só pode se realizar quando compreende que a sua vida é um dom de si mesmo aos outros. Assim deve ser entendida a vida matrimonial: pelo sacramento do matrimônio, os cônjuges vivem a alegria da doação e disponibilidade de um para com o outro.

            Citando Santo Tomás de Aquino, o Santo Padre nos exorta a entender que “a partir da intimidade de cada coração, o amor cria vínculos e amplia a existência, quando arranca a pessoa de si mesma para o outro”.

            Arrancar-se de si para se doar ao outro, é reconhecer que a vida é dom de Deus, e consiste numa entrega total, de quem renuncia às próprias vontades, para se aventurar em Deus, fazendo a Sua vontade, buscando a felicidade, para fazer o outro feliz.

            Assim nos exorta o Papa Francisco: “não posso reduzir a minha vida à relação com um pequeno grupo, nem mesmo com a minha própria família, porque é impossível compreender a mim mesmo sem uma teia mais ampla de relações” (FT nº 89).

            Seguindo essa linha de pensamento do sucessor de Pedro, podemos concluir o motivo pelo qual os casais são convidados a fazer a experiência do que chamamos pequenas comunidades, isto é, as equipes do ECC.

            Bem sabemos, que por causa da pandemia da COVID-19, estamos sendo impedidos de participar presencialmente de nossas reuniões mensais. Contudo, não podemos deixar, mesmo que virtualmente, de viver a experiência comunitária da fé, que nos une como irmãos, e que nos alimenta a espiritualidade conjugal.

            A doação de si ao cônjuge, a doação do cônjuge aos que necessitam de acolhida: eis a proposta, digo, eis a missão do ECC. A partir desta proposta de espiritualidade conjugal, podemos redescobrir o valor único do amor.

            Acreditamos que “as pessoas podem desenvolver algumas atitudes que apresentam como valores morais: fortaleza, sobriedade, laboriosidade e outras virtudes” (FT nº 91). Porém, segundo Francisco, para que essas atitudes sejam orientadas para o bem, se faz necessário exercitar o mandamento que o Mestre nos deixou: “amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (Jo 13,34).

            O Papa Bento XVI, em sua Carta Encíclica Deus Caritas Est, afirma que o amor constitui “o critério para a decisão definitiva sobre o valor ou a inutilidade de uma vida humana”.

            É importante ressaltar que, quando falamos no amor, estamos falando d’Aquele que é a manifestação plena do que denominamos amor: Jesus Cristo! N’Ele, podemos buscar a abertura ao projeto do Pai, que nos ama; que nos faz viver como uma sociedade que se abre às necessidades do próximo, dos que estão caídos; que nos faz superar o que o Papa Francisco chama de “noções inadequadas de um amor universal”, criando assim a amizade social.

            Eis o apelo de Francisco: que possamos criar momentos que nos permitam viver o que ele chama de amizade social, onde buscamos a superação de um mundo de sócios, ou interesses, vivendo a cultura de fraternidade, sem nos esquecermos do nosso apostolado primeiro: “todas as vezes que fizestes isso a um dos menores dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).

No Espírito de Jesus,

Pe. Márcio Felipe de Souza Alves
Cura da Catedral N. Sra. do Desterro

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