AS RELIGIÕES A SERVIÇO DA FRATERNIDADE NO MUNDO

Caros casais das equipes do ECC da Catedral, alegria e paz!

            Após percorrer, ao longo deste ano, na companhia do Papa Francisco, a partir da Carta Encíclica Fratelli Tutti, o caminho da fraternidade e amizade social, chegamos ao 8º e último capítulo deste texto, que nos propõe, para a nossa reflexão, o tema: “As Religiões a Serviço da Fraternidade no Mundo”.

            Para uma melhor compreensão do que o Santo Padre nos apresenta, fundamentamos o início desta reflexão com as palavras do pontífice: “as várias religiões, ao partir do reconhecimento do valor de cada pessoa humana como criatura chamada a ser filho ou filha de Deus, oferecem uma preciosa contribuição para a construção da fraternidade e a defesa da justiça na sociedade” (FT n. 271).

            Em todas as linhas desta encíclica, podemos concluir que a preocupação do Papa Francisco foi de gerar, nos corações dos leitores, a busca da fraternidade. Para isso, se faz necessário compreender que Deus, como Pai e criador de todas as coisas, nos quer como aqueles que se comprometem com os que são os menos favorecidos, isto é, os prediletos do coração de Jesus: os pobres!

            Sendo os pobres os escolhidos de Deus, os quais devem por nós ser cuidados, para que encontrem em nossa acolhida a manifestação de um Deus que se faz próximo, podemos concluir que as religiões devem estar a serviço do próximo.

            Embora pecadores, nós, filhos de Deus, somos chamados a entender que a religião tem por finalidade tornar Deus presente na vida das pessoas. Não um Deus que satisfaz os prazeres deste mundo, mas o Deus libertador, que garante vida em plenitude (cf. Jo 10,10) aos que o buscam com sinceridade.

            O individualismo, o materialismo, e também o que o Papa Francisco chama de “afastamento dos valores religiosos”, têm contribuído e muito para que os valores do Reino se percam, nesta cultura de pós-modernidade em que vivemos. Vale mais a divinização do homem, em detrimento dos princípios supremos e transcendentes.

            Neste mês em que concluímos o Ano Litúrgico com a celebração da Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, no evangelho proclamado na celebração eucarística (Jo 18,33-37), podemos encontrar um caminho para os que veem as religiões como um serviço da fraternidade no mundo.

            Diante de Pilatos, o Mestre não esmorece. Proclama a que veio: “Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz” (Jo 18,37).

            Uma religião que propaga a verdade é capaz de promover a fraternidade. A exemplo de Jesus Cristo, sempre será necessário se humilhar diante dos poderosos. Humilhar-se não quer dizer ser conivente com o erro. Antes de tudo, humilhar-se significa confiar inteiramente em Deus, e saber que Ele está no controle de tudo, e, portanto, mesmo que se lavem as mãos, como Pilatos, não nos amedrontamos, no Senhor encontramos a coragem para superar todo erro.

            Eis a identidade cristã que deve estar presente nos que praticam as religiões que se comprometem com a verdade que ilumina a todos os homens.

            Em muitas religiões ainda vemos uma preocupação demasiada na prática da violência. Em nome de Deus, muitos ainda fazem os outros sofrerem. Infelizmente, em nome de Deus, ainda muitos morrem. Isso acontece por causa da imprudência de muitos líderes religiosos.

            O Papa Francisco, em um encontro fraterno com o líder Imã Ahmad Al-Tayyeb, fez um apelo ao mundo: “declaramos – firmemente – que as religiões nunca incitam à guerra e não solicitam sentimentos de ódio, hostilidade, extremismo, nem convidam à violência ou ao derramamento de sangue” (FT n. 285).

            Neste sentido, um ensinamento fica para nós, neste caminho que percorremos ao longo deste ano: a fraternidade e amizade social propostas pelo Papa Francisco, são possíveis quando nos colocamos à disposição de Deus para tudo o que Ele nos pede. Por vezes, o seu pedido é exigente. Porém, é preciso reconhecer que Ele cuida de nós, e, por sua vez, a nossa religião manifesta esse cuidado, nos permitindo fazer uma intensa experiência de Deus, para que assim sejamos transformados a ponto de nos sentirmos irmãos de todos.

            Esta é a ultima vez que me dirijo a vocês como cura da Catedral Nossa Senhora do Desterro. Nestes três anos pude experimentar o amor de Deus em cada casal que foi para mim um baluarte da fé cristã.

            Levo vocês em minhas orações! E espero que todos possam continuar a se aventurar em Deus, que não nos oferece nada de extraordinário, mas nos oferece a sua própria vida para que sejamos Tutti Fratelli, isto é, todos irmãos.

             No Espírito de Jesus,

Pe. Márcio Felipe de Souza Alves
Cura da Catedral N. Sra. do Desterro

Share on facebook
Facebook
Share on google
Google+
Share on twitter
Twitter

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

brasao-pb

© 2019 Catedral Nossa Senhora do Desterro – Jundiaí – SP
Desenvolvido por LAB Brasil Comunicação