OS EXÍLIOS DE NOSSOS TEMPOS

Amados devotos da Senhora do Desterro, alegria e paz!

Desde o dia 18 de março de 2020, temos vivido um grande drama: a pandemia da COVID-19. De lá para cá, já atingimos a marca de mais de 500 mil mortos. Sem sombra de dúvida, nos causam espanto tantas mortes, e, ao mesmo tempo, o descaso dos nossos governantes, que infelizmente não querem se comprometer com a causa dos menos favorecidos.

Desemprego, Sistema Único de Saúde extremamente precário, fome, mortes e tantas mazelas: eis os exílios de nossos tempos! Não podemos nos calar, isto é, ficar indiferentes, diante da dor dos que são os menos favorecidos.

Sim, são os menos favorecidos que mais sofrem os exílios deste tempo. Mesmo com esta pandemia, que nos mostra que não temos controle de nossa vida, infelizmente, a indiferença é um dos maiores vírus que tem atingido as pessoas.

Quando nos aproximamos dos sacramentos da Igreja, mas não somos capazes de ser solidários com a dor dos que atravessam um vale de lágrimas, há uma incompatibilidade entre esta atitude e a religião que praticamos.

Segundo o apóstolo Paulo, Jesus Cristo, ao assumir a nossa condição humana, se esvazia de si, para nos encher d’Ele (cf. Fl 2,1-11). Não podemos compactuar com a prática de uma religião que mata, que ainda mais exila os que anseiam por conhecer a Deus.

É oportuno deixarmos bem claro que não se comprometer com a saúde, que gera a vida e garante a dignidade da pessoa humana, é de fato, um pecado. Por isso, somos convidados, nestes tempos tão difíceis, a combater os exílios deste tempo, que impedem todo homem e mulher de boa vontade, de experimentar em suas vidas o amor de Deus.

Somos anunciadores do Evangelho de Cristo, e, portanto, neste combate do exílio que amedronta a nossa sociedade, também se faz necessário anunciarmos o céu. É uma realidade que ainda não vivemos totalmente. Mas esse deve ser o nosso desejo para a superação do exílio de nossos tempos: uma busca constante do céu, que a Mãe Igreja e nossa fé católica nos ensinam.

É para a eternidade que os nossos olhos devem se voltar, neste tempo de incerteza, pois, se não sabemos o que vai acontecer, frente aos exílios de nossos tempos, uma coisa é certa: o Mestre vai à nossa frente. Ele nos faz um convite: “convertei-vos, o Reino dos Céus está próximo” (Mt 4,12).

Na “voz do cura” do mês passado, tivemos a oportunidade de lançar oficialmente o tema da Novena e Festa da Padroeira 2021: “Com Maria, a Senhora do Desterro, unidos para superar o exílio”.

É nesta intenção, que unidos como Igreja, queremos ao Pai dirigir, pelas mãos de Jesus, no Espírito Santo, esta prece: que possamos superar os exílios dos nossos tempos, que não desanimemos frente aos desafios.

Que possamos viver da certeza de que a Virgem do Desterro intercede por nós. Na bela imagem presente no altar-mor de nossa Catedral, podemos vislumbrar a alegria que tomou conta do coração de José e da Virgem Maria: eles nos apontam Jesus, pois é somente Ele que pode nos permitir suportar o exílio.    

No Espírito de Jesus,

Pe. Márcio Felipe de Souza Alves Cura da Catedral N. Sra. do Desterro

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