UM CORAÇÃO ABERTO AO MUNDO

Caros casais das equipes do ECC da Catedral, alegria e paz!

            Exorta-nos o Papa Francisco: “se esta afirmação – como seres humanos, somos irmãos e irmãs – não ficar pela abstração, mas se tornar verdade encarnada e concreta, coloca-nos uma série de desafios que nos fazem mover, obrigam a assumir novas perspectivas e produzir novas reações” (FT n. 128).

            Assumir novas perspectivas e produzir novas reações é a proposta que o Papa Francisco faz à Igreja, para que assim possamos reconhecer que, para o ser humano, não podemos construir muros. Enquanto seguidores de Jesus, devemos nos sensibilizar para construir pontes.

            Estas pontes devem ter, por finalidade, proporcionar ao ser humano possibilidades que lhe permitam viver com dignidade. Sendo assim, com relação aos migrantes, para que o número deles diminua, se faz necessário proporcionar em cada nação oportunidades que façam o ser humano redescobrir a alegria de ser gente, de ser filho de Deus.

            Segundo o Papa Francisco, devemos usar em favor das pessoas migrantes que chegam, quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar. Eis o grande desafio: exercitar o mandato de Jesus, que é o amor a Deus e ao próximo, e que impreterivelmente deve assim contemplar a totalidade do humano.

            É interessante perceber que a contemplação da totalidade do humano não quer dizer que ele tenha somente direitos. Ao contrário, os que se integram na sociedade, vindos de outros lugares, poderão reconhecer os seus deveres, sem desconsiderar que jamais poderão se sentirem isolados, inferiores, em comparação aos outros.

            Insistimos que os chefes das nações devem garantir o bem e a dignidade de seus habitantes. Porém, não podemos excluir a realidade que vivemos: temos inúmeros migrantes, e como nos ensina Francisco, podemos contar com os seus dons.

            Os dons que temos não devem ser guardados para nós, ou usados para com aqueles com quem nos damos bem. Se reconhecemos que somos de Deus, e a Ele pertencemos, é importante que sejamos solidários com os que estão desprovidos do mínimo necessário para sobreviver.

            Eis o motivo pelo qual as nações devem se unir para combater a desigualdade entre os povos. Não podemos cruzar os nossos braços diante do sofrimento humano. Chegará o momento, assim nos exorta o Papa, que toda a complexidade que hoje envolve as nações terá um grande impacto em nosso planeta.

            Nossa atualidade chega a ser desumana, principalmente quando nos deparamos com as desigualdades que vivemos. Por causa da pandemia da COVID-19, aflorou a crise da modernidade. Os pobres estão cada vez mais pobres, e, portanto, desprovidos de tudo.

            Neste sentido, para que haja fraternidade entre os povos, é preciso criar a consciência de uma gratuidade que acolhe. Essa gratuidade perpassa pela certeza proclamada pelo apóstolo Paulo: “Deus ama quem dá com alegria” (2Cor 9,7), e ainda: “distribuiu generosamente, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre” (2Cor 9,9).  

Embora a Carta Encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e amizade social, do Santo Padre Francisco, não se refira propriamente dito ao sacramento do matrimônio, podemos concluir que viver a alegria da fraternidade entre os cônjuges é próprio dos que decidiram trilhar o caminho de Jesus, estendendo as mãos aos inúmeros migrantes que estão ao nosso redor e que, por vezes, passam despercebidos por causa do nosso egoísmo.

No Espírito de Jesus,

Pe. Márcio Felipe de Souza Alves
Cura da Catedral N. Sra. do Desterro

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