ENCONTRAR, ESCUTAR E DISCERNIR: EIS A PROPOSTA DO PAPA FRANCISCO

Devotos da Senhora do Desterro, alegria e paz!

Em atenção ao pedido do Santo Padre, o Papa Francisco, a nossa Diocese de Jundiaí, assistida sempre pelo Espírito Santo, e sob o báculo de pastor de Dom Vicente, inaugurou solenemente o processo sinodal, fase diocesana, em preparação à 16ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema é: “Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação e missão” e que acontecerá no mês de outubro do ano de 2023.

O tema do sínodo nos faz concluir qual é o seu real significado: caminhar juntos. Não é possível ser discípulo de Jesus e ter uma vida solitária fora da comunhão eclesial, e por que não dizer, fora da comunhão diocesana.

Foi motivada por esta certeza, que também a Igreja de Deus presente na Diocese de Jundiaí pensou a 8ª Assembleia Diocesana de Pastoral, que acontecerá de 26 a 28 de novembro deste ano.

O que pretende a Diocese de Jundiaí, na pessoa de Dom Vicente, seu clero, religiosos, seminaristas e leigos, com esta assembleia? Como nos propôs o Bispo Diocesano, podemos concluir, que após passar pelo processo paroquial e regional, a nossa comunidade diocesana se reunirá para refletir o que o Papa Francisco denominou como três dimensões para um bom processo sinodal: encontrar, escutar e discernir.

Por que nos encontramos? Acreditamos que para respondermos a esta pergunta, podemos recorrer ao inesperado encontro de Zaqueu com Jesus (cf. Lc 19,1-10). Que encontro comovente! O homem de baixa estatura deseja ardentemente encontrar-se com o Mestre, e no fim, é surpreendido com o olhar de Jesus que fita os seus olhos: “Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 19,5).

Eis aí umas das finalidades do sínodo dos bispos e da 8ª assembleia de pastoral: proporcionar o encontro com o Mestre, que transforme as estruturas arcaicas, ainda muito existentes na mentalidade das pessoas, para que gere em nossos corações a mesma alegria que foi gerada no coração de Zaqueu, quando Jesus lhe disse: “hoje eu devo ficar na tua casa” (Lc 10,5).  

Assim como Zaqueu pôde receber a visita de Jesus em sua casa, nós também recebemos esta visita. E para que ela não fique restrita ao que denomino um espaço físico, mas aos nossos corações, é necessário que nos permitamos escutar os que tanto têm falado, cujas vozes se perdem, por causa do nosso egoísmo.

Certa vez, um escriba perguntou a Jesus: “qual é o primeiro de todos os mandamentos”? (Mc 12,28). Sem pestanejar, o Mestre responde: “Ouve Israel” (Mc 12,29). Eis uma resposta clara, precisa. Uma resposta sem rodeios! Escutar: eis uma resposta imperativa que encanta o escriba. Somente quem escuta pode amar a Deus, e por consequência, amar ao próximo.   

Necessitamos de ser esta Igreja que esteja preocupada em escutar as pessoas, acolher os que estão perdidos, ir ao encontro dos que de fato tanto gritam. Assim rezamos nos salmos: “este infeliz gritou a Deus e foi ouvido” (Sl 33). Infeliz por causa do pecado? Sim! Sem dúvida! Porém feliz, por causa da graça de Deus, que através do sacramento da reconciliação, permite o milagre do encontro que gera a possibilidade de escuta.

Por fim, como nos exortou o nosso Bispo Diocesano, em sua homilia de abertura do Sínodo dos Bispos – fase diocesana – “é preciso discernir a resposta que vamos dar à escuta dos outros”.

Vivemos numa cultura cada vez mais imediatista. Queremos as coisas tudo para ontem. Não nos permitimos refletir interiormente o que escutamos dos outros. Vejam: Jesus decide visitar a casa de Zaqueu. Os evangelhos em nada sinalizam que porventura o Mestre tenha dado a Zaqueu uma resposta imediata, ou até mesmo, uma fórmula pronta para se tornar o seu discípulo.

A salvação entrou na tua casa (cf. Lc 10,5). Quem recebeu este presente, isto é, a salvação de Deus, poderá sempre discernir que resposta dar aos questionamentos dos outros. Insisto: não temos uma fórmula pronta para dar aos que desejam seguir Jesus Cristo.

O nosso testemunho é fundamental. Portanto, seguindo estes passos, possamos nos comprometer com Jesus Cristo, que fez aos discípulos da primeira hora, e também a nós este pedido: “Ide, pois, e fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-os a observar tudo o que vos ordenei. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,19-20).   

Eis o caminho para que nos preocupemos com as coisas do céu, sem nos descuidarmos das coisas da terra: o milagre do encontro, para que proporcione a escuta, e, por sua vez, gere o discernimento que transforma o coração dos que buscam a Deus.

No Espírito de Jesus,

Pe. Márcio Felipe de Souza Alves
Cura da Catedral N. Sra. do Desterro

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